sábado, 28 de outubro de 2017

.DAY TRIP AO MOSTEIRO DE RILA E IGREJA DE BOYANA-SÓFIA,BULGÁRIA


Depois de um dia a explorar a capital da Bulgária e tendo eu um dia extra,nada melhor que uma escapadela até ás montanhas situadas a sul,com o objectivo de visitar o incrível Mosteiro de Rila.

A manhã está ótima e aos primeiros raios de sol já me passeio pela cidade de Sófia que tal como eu dá os primeiros passos neste novo e bonito dia.

Gosto de ver a cidade a acordar,de caminhar pelas ruas silenciosas e de sentir aquele vento fresquinho que me acaricia o rosto.Gosto de me misturar com as pessoas que de forma apressada seguem os seus caminhos diários.Gostei também de tomar um delicioso pequeno almoço por pouco mais de um euro,numa pequena pastelaria situada a dois passos do hostel onde dormi.
Em suma...estou a gostar desta viagem.
Sem exageros,mas estou a gostar!

À hora marcada chego ao ponto de encontro.Contorno a Catedral Alexander Nevsky que assim,sem as enchentes de turistas que presenciei na véspera,até parece mais bonita.
O pequeno bus que me vai levar já ali está,assim como um representante da agência que organiza o tour a quem me dirijo com o objectivo de me identificar.
Está tudo certo e antes de me darem ordem de embarque pago os 27 euros previamente combinados.

Como previsto,ás nove em ponto e já com os lugares quase todos preenchidos,o autocarro poe-se em movimento,primeiro por ruas pejadas de carros e depois por estradas que nos conduzem por entre intermináveis campos de cultivo que se assemelham a gigantescos mantos verdes.
Ao fim de pouco mais de uma hora de estrada e depois de fugazes passagens por pequenas aldeias onde os habitantes se assomam à porta para nos ver passar,já se avistam as montanhas cobertas de tons de outono.

De súbito o cenário altera-se por completo e aquela floresta quase selvagem,onde o sol penetra com dificuldade,engole-nos de uma forma quase violenta.O tapete de alcatrão que rasga a encosta da montanha encontra-se parcialmente coberto de folhas amarelas que empurradas por uma leve brisa vão tombando das copas das árvores.

As curvas sucessivas que nos obrigam a avançar a uma velocidade reduzida fazem com que aquela última fase da viagem se transforme num espetáculo digno de se ver e que para nosso gáudio se prolonga até à porta do mosteiro.




O acesso ao complexo é feito através de um curto túnel que atravessa as enormes muralhas que rodeiam o mosteiro e o mantém protegido do mundo exterior.
Sob as explicações do guia que nos acompanha,fazemos uma pausa no grande pátio ladeado por arcadas,varandins e pequenos alojamentos que outrora acolheram centenas de monges.
Contudo os anos foram passando e com eles chegaram os ventos da mudança.Pouco a pouco a população do mosteiro foi entrando em declínio e atualmente não são mais de dez os monges que residem neste santuário perdido no meio dos bosques da Bulgária.







A Igreja da Natividade que se ergue no centro do complexo é seguramente uma das mais bonitas que já tive a oportunidade de conhecer.
O exterior é composto por pequenas cúpulas e várias dezenas de arcadas,todas elas adornadas com lindíssimos e coloridos frescos que relatam episódios marcantes da bíblia.
O interior,apesar de ser um pouco sombrio é igualmente majestoso,com as paredes e os tectos pintados com os mesmo motivos religiosos,enriquecidos com incríveis detalhes dourados de onde se destaca o riquíssimo altar com cerca de dez metros de comprimento.
Os visitantes misturam-se com os muitos fieis que chegam e saem a toda a hora prestando homenagem à mão esquerda de St.Ivan que se encontra guardada numa arca de madeira.


As duas horas que por ali permaneço acabaram por saber a pouco e depois do grupo estar de novo reunido,regressamos ao bus para fazer os cerca de 120 quilómetros que nos separam da capital.
O trajecto leva-nos pelas mesmas estradas e caminhos onde o espetáculo para lá das janelas se repete uma e outra vez.
Fecho os olhos e adormeço,até que com a grande metrópole no horizonte aquele descanso é interrompido pela voz do guia que anuncia a nossa chegada à segunda paragem prevista no roteiro.
No meio de um luxuriante jardim já avisto a pequena Igreja de Boyana que assim à primeira vista parece ser um local idêntico a tantos outros.Contudo o seu interior esconde alguns dos mais bem conservados frescos dos séculos X e XII existentes no país.
Por questões de conservação do espaço não nos é permitida a permanência por mais de dez minutos no interior da igreja,assim como está interdita qualquer recolha de imagens.Neste curto espaço de tempo o guia explica-nos com orgulho o significado de algumas das principais imagens representadas nas paredes daquele que é considerado um dos mais importantes símbolos religiosos da Bulgária. 



Sabia que havia a possibilidade de fazer este passeio de forma independente,mas as eventuais complicações com os vários transportes que teria que apanhar e o tempo limitado que dispunha,fizeram com que optasse por um tour organizado,que facilmente adquiri no hostel.
Desta forma e sem preocupações tive a oportunidade de conhecer num só dia o bonito Mosteiro de Rila assim como a lindíssima Igreja de Boyana,ambos classificados pela Unesco como património mundial. 

.Informações úteis:
-A agência contratada para a realização do tour foi a Traventuria.
-O preço pago foi de 27 euros.
-O tour tem ini1cio ás 9:00 e termina perto das 17:00
-A entrada no Mosteiro de Rila é Gratuita
-A entrada na Igreja de Boyana tem um custo de 5 euros (segunda feira depois das 14:00 o acesso é gratuito).

Podem acompanhar as nossas viagens e ver as fotos deste e de outros destinos na pagina do Diario das Viagens no Facebook.

domingo, 22 de outubro de 2017

.SÓFIA-GUIA PRÁTICO PARA UM DIA NA CAPITAL DA BULGÁRIA


A capital da Bulgária foi para mim uma agradável surpresa.
A informação que trazia na bagagem era escassa e a ideia de que me iria deparar com uma metrópole velha,repleta de símbolos e vestígios de um passado ligado ao comunismo rapidamente se desfez.
Cheguei numa bonita manhã do mês de outubro e logo ali à saída da estação do metro que me trouxe desde o aeroporto,senti de imediato o ambiente cosmopolita desta cidade que se soube reinventar e tem crescido a um ritmo alucinante,sem nunca esquecer a riqueza da sua história.
Monumentos,igrejas,estátuas,mesquitas,museus e ruínas romanas convivem na perfeição com lojas modernas,restaurantes sofisticados e cafés e bares que ao final do dia se enchem e servem de ponto de encontro para grupos de jovens descontraídos.
Para quem está de passagem,Sófia é uma cidade onde facilmente conseguimos manter o orçamento controlado.
A comida é extremamente barata,assim como os principais monumentos e a rede de transportes que pouco a pouco se modernizaram e que de forma organizada se estendem a toda a capital,permitindo que nos desloquemos de forma rápida e cómoda a um preço bastante reduzido.


.Locais e Experiências a não perder em Sófia
Estes são alguns dos locais e experiências que resolvemos incluir no nosso roteiro durante a curta passagem pela capital da Bulgária.
A cidade não é muito grande e todos os pontos turísticos abaixo indicados se encontram reunidos numa área relativamente pequena que se percorre facilmente a pé.

-Catedral Alexander Nevski





-Igreja Russa




-Estátua de Sveti Sofia




-Monumento ao Exército Soviético





-Render da Guarda no Palácio Presidencial





-Museu Arqueológico 




-Igreja de Sveti Sedmochislenitsi





-Sveti Georgi Rotunda





-Igreja de Sveti Sofia




-Teatro Nacional Ivan Vazov 




-Sinagoga


Photo:www.sofiasynagogue.com
- Mesquita Banya Bashi




.Dicas para manter a sua viagem dentro do orçamento
Numa viagem,o orçamento desempenha papel importante e um dos principais objectivo de quem se lança à conquista do mundo prende-se com o facto de conseguir manter as finanças controladas.
Com o passar dos anos fomos arranjando táticas para controlar as nossas despesas,sendo que estes são alguns dos truques que usámos durante a nossa passagem por Sófia. 
-Comprar as lembranças nas feiras ou estações de metro.
-Fazer as refeições em pequenos comércios locais e nas pastelarias existentes por toda a cidade.
-Apesar de Sófia ter uma rede de transportes bastante eficiente,não se justifica usá-la uma vez que os principais pontos turísticos estão reunidos numa área que se percorre facilmente a pé.
-Os preços dos alojamentos baixam a partir do final de setembro,fazendo com que o período entre este mês e o início de maio seja a melhor e mais económica época para conhecer a cidade.

.Do Aeroporto até ao Centro da Cidade
-Para aqueles que chegam a Sófia de avião e que têm como objectivo alcançar o centro da cidade,a opção mais prática e seguramente mais económica é sem dúvida o metro.
Por 1,60 BGN e em cerca de 20 minutos,a linha 1 leva-nos desde o aeroporto até ao centro histórico,onde se encontram praticamente todos os pontos turísticos.

.Daytrip ao Mosteiro de Rila e à Igreja de Boyana
-Depois de um dia a explorar a capital de Bulgária,nada melhor que uma escapadela até ás montanhas situadas a sul,com o objectivo de visitar o incrível Mosteiro de Rila.
Para aqueles que têm um dia extra,este é um local que não pode ficar de fora do roteiro de quem visita a cidade.
Sabemos que o passeio pode ser feito de forma independente,mas devido ao tempo limitado que disponhamos,a opção recaiu por um tour organizado que facilmente pode ser adquirido em qualquer hostel.Desta forma e sem preocupações temos a oportunidade de num só dia conhecer o Mosteiro de Rila assim como a lindíssima Igreja de Boyana,ambos classificados pela UNESCO como património mundial.
A crónica completa sobre a nossa visita ao Mosteiro de Rila e à Igreja de Báoyana pode ser lida aqui.

Podem acompanhar as nossas viagens e ver as fotos deste e de outros destinos na pagina do Diario das Viagens no Facebook.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

.MALTA,GOZO E COMINO-ROTEIRO DE 1 SEMANA


Malta é um pequeno país perdido nas águas temperadas do Mar Mediterrâneo,algures entre a Sicilia e a costa norte do continente Africano.

Para ser honesto,nunca me tinha passado pela cabeça visitar este arquipélago composto por três ilhas e sobre o qual pouco ou nada sabia,até que uma promoção de uma companhia low cost acabou por ser o ponto de viragem nas minhas aspirações e o início daquela que se viria a revelar uma viagem fantástica.


Pela frente tínhamos uma semana e uma montanha de incertezas sobre como ocupar aqueles sete dias que iríamos ficar no país.
A necessidade de arranjar motivos de interesse fez com que pusesse mãos à obra e me lançasse numa pesquisa incessante,que me mostrou que as minhas reservas e dúvidas sobre Malta eram injustificadas.
As informações que recolhi acabaram por me revelar um país repleto de paisagens deslumbrantes,com uma história rica em acontecimentos marcantes,uma infinidade de monumentos e uma arquitectura tradicional que lhe confere uma identidade muito própria.
No final e sem muito esforço acabei por traçar este roteiro bastante completo que nos permitiu conhecer de forma tranquila todos os segredos de Malta.
Prontos para se lançarem à descoberta deste país pequeno em tamanho mas enorme em beleza?

.Dia #1
-Valeta
Na capital Europeia da Cultura em 2018 podemos encontrar bonitos jardins e palacetes que outrora pertenceram a famílias nobres,muitas igrejas e a zona antiga de onde destacamos o forte e o porto (o maior do país).
O mar que se encontra omnipresente,brilha num azul distinto daquele que estamos habituados a ver e que em conjunto com o céu e a cor ocre das casas,fazem com que qualquer passeio pela cidade se transforme numa experiência apaixonante...
Podem ler a crónica completa da nossa visita aqui.




.Dia #2
Sliema,Floriana e as Três Ilhas
O objetivo é começar cedo (por volta das 9:00 da manhã) e percorrer ao acaso durante não mais de duas horas ambas as margens da península e também algumas ruas do seu interior.
Começamos pela costa sul,que funciona essencialmente como ponto de partida e chegada dos ferrys para Valleta,assim como dos muitos barcos de recreio e turismo que saem diariamente carregados de turistas para os mais variados tours.
É também daqui que podemos ter uma das mais bonitas vistas sobre a ilha Manoel e também da capital...
Podem ler a crónica completa da nossa visita aqui.




.Dia #3
Blue Lagoon
O primeiro objectivo de hoje é alcançar o porto de Cirkewwa situado no extremo noroeste da ilha.Para lá chegar deveremos apanhar o bus 222 que percorre toda a costa norte e nos proporcionará um bonito passeio de cerca de uma hora.
O porto de Cirkewwa é a última paragem e uma vez chegados,mesmo antes de descerem do bus serão imediatamente bombardeados com pessoal a tentar vender tickets para os pequenos barcos que fazem a travessia entre Malta e Comino e também para Gozo.
No nosso caso e como vamos para Comino podemos desde já informar que o preço praticado por todas as companhias é de 10 euros por um bilhete de ida-e-volta...
Podem ler a crónica completa da nossa visita aqui.




.Dia #4
Mosta,Mdina e Rabat
Na cidade de Mosta temos como único objectivo visitar a igreja local,famosa pela sua enorme cúpula e também pelo "milagre" que ali teve lugar em 1942.
Por essa altura,com a 2° Guerra mundial no seu auge,aconteceu algo que mudaria para sempre a história desta cidade situada não muito longe da capital...
Podem ler a crónica completa da nossa visita aqui.




.Dia #5
Hypogeum de Hal Saflieni e os Templos de Mnajdra e Hagar Qim
O dia de hoje será dedicado à arqueologia.
Temos como objectivo visitar e conhecer dois locais distintos e de extrema importância.
Estamos obviamente a falar do Hypogeum de Hal Saflieni e dos templos Mnajdra e Hagar Qim.O primeiro fica situado no centro da ilha ao passo que os outros se encontram na costa sul.Em ambos os caso é extremamente fácil chegar até lá.
Por uma questão de localização a primeira visita do dia irá ser o templo subterrâneo de Hal Saflieni,também conhecido por Hypogeum...
Podem ler a crónica completa da nossa visita aqui.




.Dia #6
Ilha de Gozo
Hoje o dia promete ser longo,como tal e para tirar o máximo partido do tempo,por volta das oito da manhã já estamos na rua prontos para apanhar o bus 222 que nos levará de Sliema até ao porto de Cirkewwa.É daqui que diariamente saem os Barcos para Comino assim como os ferrys para Gozo,o nosso destino de hoje.
Podem ler a crónica completa da nossa visita aqui.



.Dia #7
Marsaxlokk
No derradeiro dia desta nossa viagem por Malta e antes de apanharmos o voo de regresso a casa,ainda temos tempo para um passeio matinal que se prolongará até ao final da tarde.
Acordamos cedo e apanhamos um autocarro até à lindíssima vila piscatória de Marsaxlokk onde nos deliciamos com a beleza e as cores de um dos locais mais genuínos da ilha.
Almoçar um sempre apetecível peixe grelhado num dos restaurantes situados à beira mar foi sem dúvida a melhor maneira de pormos termo à uma semana incrível num país que vai deixar saudades.




.Onde Dormir
Sliema foi o local escolhido para ficarmos instalados.Esta zona,é em conjunto com St.Julien's a área mais turística de Malta e por uma questão de preço a nossa escolha recaiu sobre a primeira,pois foi aqui que encontrámos o hotel mais económico.Além disso ficámos não muito longe da costa e perto das paragens de bus o que facilitou em muito as nossas deslocações.

.Como se Deslocar 
-No nosso caso e como vamos permanecer por uma semana,a melhor solução é comprar um bilhete válido por sete dias que custa 6,50 Euros e nos permite utilizar os autocarros em toda a ilha principal.O ingresso pode ser adquirido dentro do aeroporto,no balcão da companhia de transportes local (Arriva).
A verdade é que por aqui a rede de transportes é relativamente fiável e como a ilha tem uma área de somente duzentos e quarenta e seis quilómetros quadrados,esta parece ser a opção mais prática e barata.
-No exterior do aeroporto podemos apanhar o bus X4,X5 ou X7 que seguem directamente para Valletta,ou o X2 se quisermos ir para St. Julian's ou Sliema.


-Obviamente existe sempre a opção de alugar um carro,mas será seguramente bastante mais dispendiosa.

.Quanto tempo ficar

-Permanecemos em Malta uma semana e na nossa opinião é tempo mais que suficiente para visitar os principais locais de interesse do país (tanto na ilha principal como nas de Gozo e Comino).

Estas são algumas informações úteis que achámos interessantes partilhar com quem nos segue.Esperamos que sejam suficientes para vos deixar cheios de vontade de explorar este pequeno país carregado de história onde podem contar com um tempo bastante agradável durante grande parte do ano,ótima comida e pessoas super simpáticas.


Podem acompanhar as nossas viagens e ver as fotos deste e de outros destinos na pagina do Diario das Viagens no Facebook.

****Os preços e horários apresentados são referentes ao período da nossa passagem (Setembro de 2014) e obviamente estão sujeitos a alterações.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

.AUSCHWITZ-BIRKENAU-A HISTÓRIA QUE NÃO DEVIA TER ACONTECIDO


Do lado de lá do vidro da carrinha que nos transportou desde Cracóvia,surge a placa que anuncia a nossa chegada aos campos de concentração de Auschwitz-Birkeanau.
De subito o ambiente descontraído que se vivia até então,dá lugar a um silêncio incomodativo,e as expressões faciais de quem nos acompanha naquela viagem alteram-se numa ação de auto defesa,como se antevissem as sensações que estão prestes a viver.

Centenas de pessoas amontoam-se no pequeno descampado que antecede a passagem sob o famoso letreiro adornado com a citação "Arbeit Macht Frei",que de forma irónica deu as boas vindas aos mais de um milhão de pessoas que tragicamente aqui chegaram para viver os derradeiros momentos das suas vidas.



Ao longo daquela curta avenida,cruzamo-nos com diversos edifícios de paredes revestidas de tijolo que certamente ainda escondem as mágoas daqueles que ali perderam os seus entes queridos.Lá dentro,espalhados pelo chão,ainda permanecem vários colchões que testemunham as condições desumanas experimentadas por quem ali chegou sem saber como nem porquê.
Nas paredes alinham-se retratos que eternizam as expressões de terror de homens e mulheres que naquelas salas e sem escolha possível,se subjugaram aos caprichos das mentes sujas dos soldados nazis.
O trajecto é feito em silêncio total,sempre sob o comando do audio-guide que trazemos nos ouvidos e nos vai debitando estórias,factos e explicações sobre os diversos locais que vamos visitando.

As vedações de arame farpado indicam-nos o caminho a seguir e as torres de vigia,embora vazias,parecem ainda seguir os movimentos de quem ali passa. 

Mais um edificio.Este visivelmente maior que os anteriores e no qual somos confrontados com mais uma visão macabra da crueldade exercida pelo regime nazi.Para lá das enormes paredes de vidro encontram-se expostos milhares de objectos pessoais apreendidos aos que na infelicidade de vida foram para aqui trazidos e não mais daqui saíram.





A nossa pele arrepia-se quando nos aproximamos das câmaras de gás agora abertas ao público e que na altura não passavam de meros balneários,para onde os "prisioneiros" menos capazes eram trazidos e praticamente sem se aperceberem,acabavam minutos depois por ser assassinados pelo tão falado banho da morte.


As palavras fogem-me da mente ao sofrer tamanho murro no estômago quando imagino a quantidade de vidas ceifadas nestes espaços mórbidos hoje ocupados por bandos de visitante,que de semblante carregado pisam o mesmo chão que em tempos foi calcado por um sem número de inocentes.
Os corpos das vítimas...provavelmente milhares deles,eram amontoados em diversas salas contíguas,aguardando um final inglório num dos fornos do crematório.
Auschwitz é isto e muito mais.É uma experiência dolorosa que nos põe à prova.
Sinto-me cansado...respiro fundo e tento olhar de forma racional para tudo o que vejo,mas é-me impossível compreender como é que alguém no seu prefeito juízo pôde alguma vez ter pactuado com tais actos.




Estamos em junho e mesmo no verão Auschwitz é um local frio,sem alma e onde paira uma atmosfera pesada,capaz de fazer sentir a quem ali vai um forte sentimento de vergonha e revolta.

Por agora faz-se uma pausa na visita,contudo aquela overdose de violência promete prolongar-se para lá dos limites de Auschwitz.

Um pequeno autocarro transporta-nos agora até Birkenau,onde desembarcamos a escassos metros da linha férrea na qual deslizavam as carruagens carregadas de "prisioneiros" vindos de toda a Europa.
Mais uma vez transpomos várias vedações de arame farpado que se perdem para lá do horizonte e limitam aquele que ainda hoje é chamado de campo da morte. 
Os vários barracões que se alinham ao longo da planície não são mais que uma pequena amostra da verdadeira dimensão do horror que um dia pairou sobre aqueles campos.Eram mais...muitos mais!





Percorremos cada uma daquelas estruturas fantasmagóricas.
Não são muitas as que resistiram ao passar dos anos,mas mesmo assim ainda é possível entrar em latrinas e edifícios de acolhimento de aspeto frágil e sombrio,iluminados somente pelos tenues feixes de luz que penetram pelos vidros sujos e estalados que rompem as paredes. 
É uma visão desoladora e os detalhes mórbidos daquele lugar arrepiante vergam-nos o moral de forma violenta. 

Mais à frente as diversas pilhas de escombros assinalam os locais outrora ocupados pelas câmaras de gaz e crematórios,que na altura da libertação dos campos pelas tropas aliadas foram destruídas pelos próprios nazis,numa tentativa desesperada de abafar a ideia de que este local era parte integrante do plano de extermínio em massa resultante dos ideais xenófobos de uma única pessoa. 





Obviamente a intensidade da experiência varia consoante a capacidade de encaixe e da massa de que cada um é feito.      
Contudo,estar frente a frente com as memórias de um lugar tão intenso,onde tantos inocentes morreram de forma atroz é algo que todos deveríamos "experimentar" pelo menos uma vez na vida,de forma a sensibilizar os comportamentos do presente para que os erros do passado não se voltem a repetir.

.Como chegar

Existem diversas opções para se deslocar desde Cracóvia até aos Campos de concentração de Auschwitz-Birkenau,existindo a possibilidade de realizar a visita de forma independente ou recorrendo a um tour organizado.

 -Comboio: Desde a estação central de Cracóvia partem vários comboios em direção da gare de Oswięcim situada a cerca de dois quilómetros dos campos.O trajeto final pode ser realizado a pé,de taxi ou de bus.
 -Bus: Quanto a nós esta é a opção mais fácil e rápida para quem quer fazer a viagem de forma independente,uma vez que nas imediações da estação central existem autocarros e minivan's que realizam o trajecto desde a cidade até mesmo á entrada dos campos.
É aconselhável comprar bilhete só de ida,uma vez que são várias as companhia a operar esta rota e todas elas com horários distintos de regresso ao ponto de partida.
 -Tour organizado: Para quem quer algo mais cómodo e prático nada melhor que contratar os serviços de uma das muitas agências de viagens espalhadas pela cidade.



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